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A televisão me deixou burro, muito burro demais. Oi!Oi!Oi

Atualizado: 17 de Mai de 2019

Publicado no dia 22 de Junho de 2010.

Marcelo Fromes, Tony Belloto e Arnaldo Antunes. Caras, não sei se estamos mais burros desde o primeiro episódio de Vila Sésamo, quando a televisão seduziu para sempre a minha geração, roubando-nos preciosas horas de diversão ao ar livre, mas que ela torna as coisas muito iguais, isso não há dúvida. Ou você acha que o Brasil é do tamanho da TV Globo, meu? A emissora que tem o maior número de repetidoras e afiliadas, entre todas em operação no país, não reflete na tela a sua onipresença. O que vemos entre um plim-plim e outro tem mais concreto do que verde e tanto neguinho cantando axé que, nas próximas eleições, vai ter gente a rodo votando na Ivete pra presidente. Marina? Quem é essa, véio?

Os brasis que não vemos no horário nobre da TV, para surpresa geral, é rico em paisagens. Tem até mata seca! Este é o nome popular da Floresta Estacional Decidual, que tem uma importante característica: a perda quase total das folhas no período mais seco do ano. Você certamente já ficou deslumbrado ao ver uma floresta decidual de um país europeu estampado num cartão postal, só não imaginava que beleza parecida (diferente de igual) pode ser vista em terras tupiniquins.


Foto: Mata Seca, Caraça (Rubens C. Mota).

Segundo o biólogo Gustavo Malacco, da Angá, há pouca pesquisa e ação de conservação destinadas à mata seca se compararmos esta formação com as Florestas Tropicais. Mas não é por falta de merecimento. “Nesta vegetação são encontrados endemismos da flora e fauna, com destaque para as aves Lepidocalaptes wagleri (arapaçu-de-wagler) e Knipoleugus franciscanus (maria-preta-do-nordeste), ameaçadas de extinção”, esclarece ele, lembrando que “uma espécie da flora e da fauna são consideradas endêmicas quando só encontradas em determinado ambiente”.

Apesar da incontestável relevância da Mata Seca no contexto florístico nacional e internacional - por sua singularidade -, e a proteção a ela assegurada pela Lei Federal 11.428/2006, como bioma associado à Mata Atlântica, no último dia 16, nossos queridos deputados estaduais aprovaram o PL 4.057/2009, que altera o uso do solo nas áreas de ocorrência da Mata Seca, em Minas, retirando-lhe a proteção conferida pela legislação federal. Os nobres legisladores que de meio ambiente só conhecem o termo degradar, querem transformar a cobertura vegetal do norte do estado em carvão. Cabe ressaltar que o relator do PL é o ex-candidato a prefeito de Uberlândia, Luiz Humberto Carneiro que, além de botar fogo na Mata Seca, também quer acabar com o verde da bandeira brasileira, apoiando o esdrúxulo relatório de Aldo Rebelo, que promove o desmonte do Código Florestal, no Congresso Nacional.

Com deputados tão zelosos com o meio ambiente é fácil entender porque Minas se destacou como o estado campeão em desmatamento da Mata Atlântica entre os anos de 2008 e 2010. Mas se você ainda não está satisfeito e quer um motivo, unzinho, para tamanha sandice, lá vai: a eliminação da Mata Seca vai gerar empregos no Jequitinhonha. Nada de risadas. É sério. Quem disse? Este é o discurso dos deputados que estudaram na cartilha dos ruralistas e empresários da indústria do ferro gusa para justificar a bobagem que fizeram ao retirar o amparo legal que mantinha a salvo a Mata Seca. Já os pesquisadores da Unimontes informam que a vegetação ainda em pé no norte do estado está dentro de propriedades com mais de 1000 hectares. Ou seja, quem vai levar a melhor são os donos de latifúndios. O ferro e a fama, como sempre, vai sobrar para os mais fracos.

Equipe ong ANGÁ

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