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Cerrado: patrimônio nacional ou Bioma esquecido?

Atualizado: 17 de Mai de 2019

Publicado no dia 11 de Setembro de 2010.

foto: nascer do sol no Cerrado. Grazie Pascoli

Hoje, 11 de setembro é o dia oficial do Cerrado.

Mais conhecido pelo seu potencial de expansão do agronegócio, poucos se lembram que esse ecossistema é o segundo maior do país, atrás apenas da Floresta Amazônica.

O Cerrado é característico pela variedade de vegetação. Nas áreas de chapada existem os campos naturais; nas serras são encontrados campos rupestres e cangas, como na região do Quadrilátero Ferrífero e da Serra da Canastra, que ontam com grande número de espécies exclusivas.

Ainda existem ambientes de transição entre a mata e o campo, que é o cerrado sensu stricto, caracterizado por suas árvores de casca grossa e galhos tortos e as veredas, berço dos buritis e verdadeiras caixas d’água. Por fim, o bioma Cerrado também inclui ambientes florestais - matas ciliares ou de galeria - que acompanham rios ou córregos; as matas secas e os cerradões, característicos e bastante ameaçados na região do Pontal do Triângulo Mineiro.


Esse mosaico de vegetação favorece uma grande biodiversidade de espécies de plantas e animais. Há nos Cerrados cerca de 10.000 espécies de plantas lenhosas (4.400 ou 44% endêmicas); 837 espécies de Aves (29 ou 3,4% endêmicas); 161 de mamíferos (19 ou 11% endêmicas); 120 de répteis (24 ou 20% endêmicas) e 150 espécies de anfíbios (45 delas ou 30% endêmicas).

Além disso, o Cerrado contém as três maiores bacias hidrográficas sul-americanas. Seis das oito grandes bacias hidrográficas brasileiras têm nascentes na região: a bacia Amazônica, a bacia do Tocantins, a bacia Atlântico Norte/Nordeste, a bacia do São Francisco, a bacia Atlântico Leste (Rios Pardo e Jequitinhonha) e a bacia dos Rios Paraná/Paraguai.



Foto: vegetação rupestre e nascente no Parque Nacional Serra da Canastra. G.Pascoli

No Brasil, o Cerrado está ao lado da Mata Atlântica com o sério título de Hotspot mundial - áreas definidas por pesquisadores por serem prioritárias para conservação, com grande diversidade biológica, altos níveis de endemismo, sob perigo imediato de extinção de espécies e destruição dos ambientes naturais.

Estima-se que a perda de vegetação natural do Bioma esteja entre 48% (IBGE) e 68% (Conservation International), convertidas em pastagens intensivas e agriculturas mecanizadas. Uma ameaça recente ao Cerrado é a expansão dos biocombustíveis, especialmente da cana-de-açúcar. A pesquisa Indicadores de Desenvolvimentos Sustentável (IDS) 2010 chama atenção para o ritmo do desmatamento do bioma e sugere medidas urgentes, como a criação de unidades de conservação em áreas de fronteira agrícola.

Mesmo incluído na lista mundial de Hotspots desde o ano 2000, e de ter sido transformado em Patrimônio Nacional pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 504/10 do Senado, em agosto desse ano, ainda encontra-se bastante ameaçado.

Apenas no ano passado o Ministério do Meio Ambiente começou a monitorar o Bioma anualmente, considerando taxas de desmatamento e incidência de queimadas. Segundo o MMA a taxa anual de desmatamento é de cerca de 1% ao ano. Considerando este ritmo, em menos de 30 anos, o Bioma pode deixar de existir.

Os estados campeões de desmatamento são o complexo MAPITOBA (Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia), porém Minas Gerais não fica muito atrás, pois cerca de 65% do Cerrado original já foi convertido.


Em relação às áreas protegidas, apenas 6% do bioma cerrado foi transformado em parques estaduais e federais. Infelizmente parques como a Serra da Canastra, Chapada dos Veadeiros e Grande Sertão Veredas são comumente ameaçados por tentativas de mudanças na legislação encabeçadas por deputados federais e senadores financiados pelo agronegócio e mineração, com o objetivo de diminuir o tamanho das Unidades de Conservação.

Mesmo dentro das unidades de conservação, a flora e fauna não estão livres de ameaças. O Parque Nacional das Emas está com 93% de sua área queimada, e o Parque Nacional da Serra da Canastra já perdeu 40 mil hectares de vegetação comprometidos pelo fogo criminoso, facilitados pela falta de fiscalização.

Apesar de tanto descaso, o desenvolvimento sustentável da região central do país continua sendo praticado, vide os projetos coletivos Central do Cerrado e Empório do Cerrado, que utilizam o conhecimento popular para explorar de forma coerente a riqueza única das plantas do Cerrado.


Foto: semente de baru (Dipteryx alata). Típica do Cerrado, castanha é saborosa e possui alto valor nutricional. fonte: Central do Cerrado.

Informações científicas: CERRADO: Ecologia, Biodiversidade e Conservação/Aldicir Scariot, José Carlos Sousa-Silva, Jeanine M. Felfili (Organizadores). Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2005.

Mapa: Conservation International. ilustração: Ribeiro e Walter, 1998. Fitofisionomias do bioma Cerrado .In: Cerrado: flora e fauna (S.M. Sano & S.P. Almeida, eds). EMBRAPA-CPAC, Planaltina.

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